Os serviços de streaming e a revolução do alcance de audiência

Na noite de abertura do Rio2C 2019, a Netflix anunciou a produção de 30 novos conteúdos brasileiros exclusivos para a plataforma nos próximos dois anos. Segundo Ted Sarandos, Chefe de Conteúdo da Netflix, “O Brasil tem talentos extraordinários e uma longa tradição em contar grandes histórias. É por este motivo que estamos animados em aumentar nosso investimento na comunidade criativa brasileira. Esses 30 projetos, em vários estágios de produção em diferentes locais espalhados pelo país, serão feitos no Brasil e consumidos pelo mundo”.

No painel "Storytelling para serviços de streaming", Maria Angela de Jesus, Diretora de Conteúdo Original Internacional da Netflix, convidou os participantes do painel  para contarem um pouco das suas atuais vivências e experiências com a Netflix, sob os vieses da diversidade e da criatividade, neste momento onde tantas estórias são produzidas no Brasil e contadas para 190 países pelo mundo.

Elena Soarez, roteirista da série "O Mecanismo", fala de sua nova produção “Futebol”, drama que conta a história por trás da relação intensa entre dois jogadores – Toró e Pantera, dois meninos pobres de 15 anos que são escolhidos entre uma multidão de outros jovens para integrar a categoria júnior do maior time brasileiro: o Carioca Futebol Clube. Elena fala da emoção iniciar a série com 1000 meninos, vindos das mais diferentes realidades e afirma que "a diversidade parece ter muito mais a ver com o que a gente não conta do que a gente escolhe contar". Sobre a segunda temporada de "O Mecanismo", recém lançada na plataforma, Elena fala da experiência de criar com outros roteiristas e de seu envolvimento em diversos momentos da criação e da produção executiva: "a gente começa a ter que se adequar a novas funções e desenvolver novas habilidades. Temos mais poder, mais liberdade e mais responsabilidades", conclui a roteirista.

Michel Tikhomiroff, diretor da série - já em pós-produção pela Mixer Filmes - "O Escolhido", fala sobre a diversidade de um Brasil ainda pouco explorado, a região do Pantanal onde o suspense se desenrola. Michel A interação local e a alteração do local retratam e representam um Brasil tão diverso e ainda pouco divulgado.

Pedro Morelli, showrunner e criador da série recém filmada "Irmandade", que conta com Seu Jorge no elenco, fala sobre o universo das facções criminosas no Brasil. A ideia era fazer uma série onde o entretenimento é o foco principal, "prender o expectador em uma trama eletrizante, complexa e cheia de surpresas é o primeiro plano para conduzir a audiência a mergulhar na narrativa e desvendar as muitas facetas deste tema, ainda entendido de forma superficial pela maioria das pessoas". Pedro fala da escolha de contar a história a partir do ponto de vista de uma mulher negra: "Foi o formato mais sensível e adequado que encontramos para tratar de um tema tão pesado e, ao mesmo tempo, falar de um contexto social fazendo um recorte na questão da diversidade", conclui Pedro.

Caito Ortiz, produtor executivo e diretor geral da série "Coisa Mais Linda" - narrativa ambientada no Rio de Janeiro dos anos 1950 e que trata da história de quatro mulheres em busca de suas próprias histórias - contou sobre a liberdade do processo criação com a Netflix e a mobilização colaborativa do processo que gerou grandes aprendizados. "Tivemos bons embates e muitas trocas muito ricas e para mim isso foi a maior surpresa

no processo", conta o diretor. Ainda, Caito falou do alcance e da tecnologia das plataformas de streaming que permitem um alcance transformador com a audiência "Poder se comunicar com o público de uma forma tão democrática é incrível. Todo mundo que já fez cinema sabe da dificuldade que é em encontrar seu público alvo. É um momento muito favorável para a nossa indústria neste sentido", conclui Caito.

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