Carlos da Costa: agente público fala sobre produtividade, emprego e economia criativa

No dia 25 de abril, a Grande Sala recebeu um painel sobre "Produtividade, Emprego e Competitividade, com Carlos da Costa, Secretário Especial do Ministério da Economia. A mediação foi de Fernanda Farah, gerente do departamento de Economia Criativa & TI do BNDES. Ele começou o encontro lamentando que a  economia criativa, tanto para o mundo quanto para o governo, ainda é um assunto menos entendido do que a importância para o mercado. 

Sobre produtividade, o foco principal é aumentá-la. Hoje temos um número muito ruim para o nosso país, mas que gera consciência e urgência, de 23% de produtividade média de um trabalhador norte-americano. Atualmente quando pensamos, por exemplo, no valor econômico das empresas, 75% dele é intangível. Então quando pensamos em aumentar a produtividade de um setor de copos de vidro, não é só fazer mais copos, na verdade, é cada vez fazer menos. É fazer copos mais duráveis, mais bonitos,  com um design mais adequado, que sejam distribuídos na hora certa, no lugar certo. Copos que sejam bem apresentados em campanhas de comunicação. Copos que tenham uma linha de financiamento para a produção de toda a cadeia. Que gerem menos resíduos no meio ambiente. Tudo isso é produtividade. “Nós precisamos ainda no Brasil mudar um pouco a mentalidade de produção física para aquilo que hoje mais importa na sociedade mundial que é geração de valor. Quando a gente pensa em valor intangível, estamos pensando em criação e em capital intelectual”.

O mundo está se transformando. E existem algumas alavancas que tornam essa transformação cada vez mais rápida, como a Inteligência Artificial, que está pouco a pouco transformando as atividades repetitivas, desempenhada por seres humanos, em atividades desempenhadas por máquinas e por softwares. No final das contas, só vai sobrar uma coisa do ser humano que é ‘ser humano’. E na essência do ser humano tem emoção, tem criatividade, design, produção artística, ou seja, tudo aquilo que uma máquina não tem. E é nessa base de criação que o Brasil se diferencia. O principal diferencial do brasileiro é a capacidade criativa. Pesquisas apontam que o nosso pais sempre se destaca nessa área, de atividades não rotineiras, criativas, flexibilidade... E o que no brasileiro não é tão bom assim? Coisas repetitivas, coisas estruturadas, metódicas. Só que estas coisas estão sendo transformadas em máquinas. O ser humano está se rehumanizando. “Nós estamos nos transformando novamente em artesãos. Nós passamos por uma era industrial repetitiva em que o ser humano se transformou numa máquina ou numa peça da mesma e estamos voltando agora para a Economia Criativa, que é o que gera valor”, pontua o Secretário. 

Nós, no Brasil, não estamos muito bem na Economia Criativa. Enquanto no mundo temos em torno de 7% do PIB, no país é em torno de 3%. Estamos crescendo menos rápido do que outros países. Porque é que os setores da Economia Criativa não estão crescendo como no resto do mundo? Por conta dos problemas que hoje afligem o setor produtivo brasileiro. O número 1 é a complexidade. É muito difícil se produzir no Brasil. Nós estamos convictos agora que o Brasil não está se recuperando pois produzir no país se tornou uma atividade inviável devido a exigências dos mais diferentes tipos. O resultado disso é que temos hoje um povo altamente empreendedor (36% dos brasileiros são empreendedores), no entanto são de uma empresa sem funcionários ou até com um funcionário. Essa é a vasta maioria das empresas de pequeno porte. O peso para se produzir é tão grande que as pessoas começam a desistir de abrir empresas  e de investimento. Aqueles que acreditaram em um Brasil crescente nos últimos anos, agora vêem suas vida se tornarem cada vez mais complexas.

Uma série de medidas e soluções estão sendo pensadas, e em breve implantadas, pela secretaria especial. Na semana do dia 06/05, 50 medidas simplificadoras, que vieram de um resultado de mais de 300 reuniões com o setor produtivo, serão postas em pratica no intuito de que “precisamos deixar o empresário criar”. Outro problema é o capital humano, e o plano “Emprega Mais” pretende viabilizar qualificação profissional em setores que precisam de mão de obra - e o setor criativo será o maior beneficiado. Em terceiro lugar, a concentração do setor bancário é a motivação de um plano “pró mercado” que irá trazer mais competição. O “Brasil 4.0” trará inovação, digitalização e habilidades gerencias para empresas criativas e, por último, o “Simplifica” irá lançar a Sociedade Anônima para o Simples e criar um ambiente adequado para que o Brasil chegue no lugar que merece.

 

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