Cérebro: a próxima fronteira

Neurocientistas e empreendedores da biomedicina mostram como as novas tecnologias podem influenciar nosso cérebro e até mesmo nossa evolução

Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que a plasticidade cerebral só ocorria em um período da vida humana: no útero materno. “Na fase adulta, considerávamos que ela talvez acontecesse no hipocampo e, no máximo, em algumas regiões específicas”, recorda-se o diretor de neurociência cognitiva do IDOR, Jorge Moll. “Mas nas últimas décadas tivemos um boom de evidências científicas de que o cérebro é, na verdade, muito plástico. E isso está mudando tudo.”

As evidências se acumularam e, com o avanço tecnológico, descobrimos que coisas incríveis acontecem em nosso cérebro – e em graus muito mais visíveis e mensuráveis do que se achava antes. Por exemplo: a cada vez que experimentamos algo novo, nosso cérebro sofre mudanças sutis em sua estrutura. O contato com novas tecnologias – mesmo a internet ou um smartphone – produz novas conexões entre nossos neurônios e, de certa forma, “amplia” o nosso sistema nervoso.

“Por conta desta nova visão, estão surgindo tecnologias e equipamentos que não só medem nossa atividade cerebral, e vários sinais do corpo, como melhoram a performance de nosso cérebro”, diz o neurocientista Stevens Rehen, do IDOR.

Nem tudo são flores

“A boa notícia é que as neurotecnologias permitem a prevenção de doenças e um convívio social melhor”, analisa o neurotecnólogo Souvenir Zalla. “Mas há também o outro lado: os dados colhidos por elas também podem ser transformados em big data. E, dependendo de quem manipule esses dados, e com que intenção, isso pode se tornar um problema.”

A sociedade precisa se envolver nessa discussão – e em outras, envolvendo big data. Desmitificar temas como ciência e tecnologia, como propõe a programação do Brainspace, e de todo o Rio2C, pode ser um ótimo começo.

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