Summit | Verdade ou Bullshit? com Hugo Rodrigues

Resultado é a palavra de ordem de Hugo Rodrigues, que falou sobre o futuro das agências no painel  “Verdade ou Bullshit?”, no Summit do Rio2C by Meio & Mensagem. Chairman e CEO da WMcCann, depois de 18 anos na Publicis, ele afirma que um problema das agências nos dias de hoje é que elas só pensam nelas mesmas. “O futuro depende do outro. O consumidor está mais empoderado e o cliente é o grande ator do mercado publicitário. Queremos ser, mas não há dono da razão na nova era. Quando as agências prestarem atenção no cliente vão voltar a ter a importância que já tiveram”, afirmou. 

Segundo o publicitário, nos dia de hoje é necessário prestar contas. “Se não entregar um resultado comprovado, seu faturamento vai cair. Isso se chama de maturidade. É preciso provar na prática o que se prega na teoria. A realidade hoje é mais metrificada. A pesquisa hoje não é no número de likes, no burburinho. Não pasta preencher o formulário, tem que concretizar a venda, engajar”, completa. 

Hugo destaca que os clientes nos dias de hoje estão impacientes, assim como as propagandas estão muito mais interruptivas. O publicitário lembrou que comunicação que interage com conteúdo, sem interferir nas narrativas, já é feita há muito tempo. Ele citou um filme do agente secreto 007 de 1977, em que o James Bond bate com um dos seus carrões em um caminhão de água Perrier. “As grandes marcas já fazem parte do conteúdo há década gerando entretenimento. Isso não é novo. Mas a propaganda é uma interrupção. Entreter o outro sem gerar interferência é um grande caminho”. 

Engajamento das marcas ou bullshit?

Outro ponto debatido foi o quanto as empresas estão realmente mobilizadas pelas causas que abraçam ou se apenas surfam na onda do politicamente correto. “Nos dias de hoje as marcas têm que ter ações que tratem da diversidade. Não é só o empoderamento feminino, é o empoderamento dos negros. Cadê eles aqui na sala? E quantos deficientes têm oportunidades? A diversidade deve estar na pauta por obrigação. Se é bullshit ou não, se quer aparecer bonito na foto, isso não importa. O importante é fazer ações de forma séria, transparente e que trarão um resultado eficaz que vai mudar a sociedade”. 

Hugo citou o anúncio da Gillette, lançado em janeiro, que criou polêmica ao retratar homens em situações como tentando evitar brigas ou reprimindo o assédio à mulheres. “A Gilette falou da masculinidade no mundo de outro jeito e sofreu um ataque absurdo. O programa Os Trapalhões não iria funcionar hoje. É preciso ter uma consciência da realidade”.  

O publicitário brasileiro também citou o executivo de publicidade australiano David Droga,  fundador e presidente da Droga5 (Nova York / Londres). Ele é o criativo mais premiado da história do Festival Internacional de Criatividade de Cannes, somando mais de 80 Leões, sete Grand Prix e quatro Titanium Lions. “Para onde vai o mundo eu não sei. Mas para sobreviver ao novo mundo, você tem que ser ou o David Droga ou se reinventar”.  

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