Summit | Novos modelos de família com os quais as marcas querem dialogar

A moderadora, Ana Corat, Sócia Fundadora da Hybrid Colab, abriu o painel "A Tradicional Família Brasileira", do Summit Rio2C by Meio e Mensagem 2019, ressaltando a importância e a co-responsabilidade dos agentes de comunicação atuarem como educadores para do uma real transformação da sociedade. Ela afirmou que é "fundamental que comunicadores, empresários, gestores, contratantes e criadores ampliarem suas visões e assumir mais responsabilidades tanto pelos questionamentos que enfrentamos hoje na sociedade quanto pela construção do que ela será no futuro". 

Acerca da ampla discussão sobre a relação entre economia e mercado global - tema de que permeia os debates no Fórum de Economia Mundial desde 2014 - e a realização efetiva dos direitos humanos, Ana ressaltou a  necessidade da mudança da mentalidade dos comunicadores e das marcas com dados impressionantes: "nos últimos 30 anos o PIB mundial triplicou e não parece que estamos caminhando para a resolução dos problemas da desigualdade, da injustiça social, da diferença de oportunidades e do preconceito. Em 2017 o total investido em compra de mídia no Brasil, segundo dados do Kantar IBOPE Media, foi de 134 bilhões de reais e o orçamento federal da educação foi de 115 bilhões", contou. Diante destes números, fica claro o tamanho da relevância da discussão, logo no primeiro dia da Rio2C: a pluralidade da família brasileira, sua realidade e, sobretudo, sua falta de representatividade. Portanto, afirma a moderadora, "nós não vivemos mais uma realidade onde podemos achar que não ajudamos a criar a sociedade onde nós vivemos. Nós educamos tanto quanto as escolas e as famílias".

Thais Fabris, cofundadora da 65/10 - consultoria criativa especializada em mulheres, traduzindo para o mundo corporativo as mudanças no comportamento da mulher e as demandas dos movimentos sociais - apresenta um painel, também baseado em dados do CENSO de 2017, que coloca numericamente os "novos" tipos de famílias no Brasil. Segundo Thais "a cara" da família brasileira, que tem a mulher como grande vetor de mudanças dentro das estruturas familiares, não é mais aquela dita tradicional. O núcleo "homem, mulher e filho(s)" representa apenas 42% da população. Atualmente, "a maioria das famílias está dividida em mães solo, famílias reconstituídas (16,4%), casais sem filhos por opção, pessoas que vivem sozinhas (14%), famílias compostas apenas por pai e seu(s) filho(s) e algumas que não conseguimos calcular precisamente por conta do preconceito que sofrem que são famílias homoafetivas (estima-se que estão entre 10 a 20%), relações de poliamor, dentre outras."

Ana Corat retoma afirmando que a comunicação ainda não consegue representar estas famílias, conforme revelado em diversas pesquisas recentes. Um exemplo recorrente é a ausência de negros/famílias negras na publicidade, que representam 54% da população. 

Denise Gallo, Diretora de Criação da Dpz&T, acredita que muitas marcas têm a intenção e a iniciativa em melhorar estas representatividades, mas ainda há muito o que aprender e melhorar. "Ocupamos um lugar ainda insuficiente diante da pluralidade que a gente vê nas ruas e nas pesquisas. Uma cultura secular não se reconstrói em uma propaganda, em uma campanha. Mudar uma cultura envolve tempo, consciência e persistência. Só vamos conseguir melhorar na recorrência destas representações para naturalizar o que ainda é uma exceção na comunicação", concluiu Denise. 

sponsorship

STAY TUNED