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Empreender no Brasil

O Rio2C é um evento que fomenta discussões, troca de ideias e impulsiona o empreendedorismo no Brasil, através das rodadas de negócios e dos pitchings, por exemplo. Mas empreender não é fácil, há muitos caminhos a percorrer, além disso o Brasil é um país com muitas diferenças sociais e econômicas. E para falar sobre como empreender no Brasil, o Rio2C entrevistou Diego Puerta, cofundador da CRP Mango (Soluções em Marketing Digital).

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Diego Puerta é cofundador da CRP Mango e atua na área de Tecnologia há mais de 20 anos. Tem experiência com gestão de operações, gestão de equipe multidisciplinar, forte atuação na gestão de projetos de e-commerce, para portais de grandes marcas, e liderança em projetos de marketing digital.

Entrevista com Diego Puerta: conheça sua trajetória de empreendedorismo no Brasil

1. Como foi a sua trajetória até chegar à posição de CEO de empresa no Brasil? Quais foram os maiores desafios?  

Diego Puerta | COO - CRP Mango

Primeiro precisamos compreender que há uma diferença importante entre chegar em um cargo de CEO, através de uma carreira construída no mercado, e ser CEO da empresa que você mesmo ajudou a fundar. Eu estou nesse segundo caso, sou cofundador da CRP Mango, empresa que ajudei a construir desde meados de 2002.

Quando você inicia um negócio, basicamente você é o CEO desde o dia zero da operação. Mas você é também todos os outros cargos, na medida em que a maior parte dos negócios nasce com pouquíssimas pessoas no time. No mesmo dia em que você define estratégias de marketing e prospecção, você também executa o plano, cuida do contas a pagar, faz o café, atende os clientes, compra suprimentos e se envolve em qualquer outro assunto para o qual ainda não há uma pessoa ou equipe responsável.

Durante a minha trajetória, fui percebendo que o maior desafio era desenvolver as habilidades de liderança, sem a opção de não ser líder. Isso porque eu cocriei a agência, enquanto ainda terminava a faculdade, ou seja, eu estava no início da minha construção como profissional. Mas também acredito que me beneficiei de algo que já estava comigo, de alguma forma o papel de liderança sempre foi um impulso natural para mim. Isso não diminui o tamanho do desafio, mas o torna mais viável, mais fluido. Ao longo do tempo, a empresa foi crescendo e ficou cada vez mais claro o papel indispensável que as habilidades de liderança têm na condução de um negócio.

2. Vale a pena empreender no Brasil? 

Vou me permitir mudar o ângulo da resposta. Acredito que valha a pena empreender por você, se esse for o seu caminho, o seu objetivo, se você tiver as habilidades necessárias para isso e a disposição para desenvolvê-las sempre. Isso não tem a ver com o país onde você está empreendendo.  

É claro que a pergunta sobre empreender no Brasil toca em um contexto de um país que é reconhecidamente difícil para desenvolver um pequeno negócio. Até para os grandes a decisão não é fácil. Essa dificuldade passa por muitas características, como um sistema tributário insano, pouco incentivo para micro e pequenos negócios, leis trabalhistas muito antigas, falta de proteção para os mercados internos, regras de câmbio um tanto voláteis, ambiente político instável e por aí vai.

Mas eu acredito que a decisão de empreender muitas vezes está acima dessas questões, ela tem relação muito mais próxima da realização pessoal, daquele sentimento de olhar o que foi construído e ter orgulho, mesmo quando não parece grande. Para quem tem esse feeling, essa vontade ou esse objetivo, eu digo que sim, vale a pena empreender, apesar do Brasil. Vai ser duro, provavelmente vai dar errado algumas vezes, mas buscando conhecimento e desenvolvendo as habilidades corretas, o resultado final deverá ser um profissional muito realizado. 

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3. Acredita ter áreas de trabalho que gerem mais oportunidades de crescimento no Brasil? Quais?

No mundo atual, já sob os efeitos da pandemia, a área de tecnologia despontou de maneira muito expressiva como mercado de trabalho promissor. Essa é uma área que já era muito demandada, mesmo antes de 2020, mas a forte expansão do modelo de trabalho remoto, que a pandemia da COVID-19 gerou, fez com que esse mercado explodisse em termos de oportunidade como nenhum outro. 

Há muito mais vagas do que profissionais disponíveis para cargos de desenvolvedores de software, em especial nas tecnologias usadas em plataformas digitais, tanto para frontend como para backend. Esse cenário se acentua a partir do momento em que não há mais fronteiras para a atuação no modelo remoto, os profissionais brasileiros estão sendo contratados por empresas estrangeiras, com salários em dólar e euro, e trabalhando de casa ou de qualquer outro local de sua preferência. 

Sempre que tenho a oportunidade, digo às pessoas que estão buscando uma carreira: estude programação. Claro que é uma escolha que também precisa considerar preferências e objetivos pessoais, mas sem dúvida nenhuma é o mercado que mais gera oportunidade atualmente. 

Imagem do COO da CRP Mango, Diego Puerta, segurando prêmio.

4. Até agora, quais foram as lições mais importantes, as que fizeram parte do seu crescimento profissional e que você vai levar para toda a sua vida?

A primeira lição que levo comigo é a importância da maneira como as relações são construídas ao longo da jornada. Isso vale em todos os aspectos da vida profissional, já que basicamente tudo que você faz exige a construção de algum tipo de relação. Pode ser com seus pares, seus gestores, seus fornecedores, seus parceiros, seus clientes, seus concorrentes, seus liderados ou até com você mesmo. A maneira como você cuida de cada uma dessas relações ajuda muito a definir o destino da sua jornada. E é muito importante entender isso o mais cedo possível.

A outra lição é um clichê impossível de ser evitado: persistência. Eu sou apenas mais uma história de empreendedorismo que confirma a tese de que a persistência vai te levar para onde você quer, desde que você saiba para onde quer ir. Porque em algum momento as coisas vão dar errado, as pessoas em volta vão te desestimular, o ambiente vai ficar hostil e isso tudo vai exigir que você seja persistente. A questão é sempre o quanto você tem certeza daquilo que está fazendo. E seguir em frente.

5. O que você diria para o jovem que está entrando no mercado de trabalho e tem como meta empreender no Brasil, ou seja, ser o CEO de uma empresa?

Eu acredito que o processo de empreender exige muita busca de conhecimento, o tempo todo. Portanto essa é a minha mensagem principal, busque conhecimento em todas as fontes, do mundo acadêmico aos livros, blogs, eventos, projetos de mentoria, incubadoras, aceleradoras e até em filmes e séries sobre o tema. Toda informação de qualidade ajuda a formar uma ideia de gestão que pode levar um negócio ao seu grande objetivo. 

Já como contraponto, diria também que ser o CEO talvez não seja tão importante no projeto de empreendedorismo. O sucesso do empreendedor está justamente na sua capacidade de formar times fortes que vão levar aquele negócio ao sucesso. E se para isso for necessário formar também um CEO que não seja o fundador da empresa, simplesmente faça isso.